segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Rádio Xadrez com Judit Polgár


Judit, Susan e Sofia
EM UMA NOITE GÉLIDA, no início dos anos oitenta, em Budapeste, capital da Hungria, um forte Mestre Internacional estudava um final de partida com sua aluna Susan. Apesar de promissores jogadores, nem a jovem nem o Mestre conseguiam encontrar a solução para o problema apresentado no tabuleiro de xadrez.

Ressabiada, depois de fracassadas tentativas, a aluna resolveu pedir ajuda à sua irmã mais nova, que dormia no quarto ao lado da sala de treinamento. Cambaleante, a jovemzinha saiu da cama segurando ainda seu urso de pelúcia, limpou os olhos para acostumar-se com a luz e equilibrou-se em pé na cadeira para poder enxergar a posição das peças.

Alguns instantes depois, ainda agarrada ao ursinho que trouxera da cama e nitidamente preguiçosa e com sono, a garotinha disse com uma voz fina, que quase sumia: “Por que vocês não movem o Bispo para cá, Susan?”. 


O lance era brilhante e resolvia de imediato o problema cujo qual os dois enxadristas gastaram horas tentando solucionar. Sem se dar conta da proeza que acabara de fazer, a menina virou-se para a irmã e apenas perguntou se podia voltar a dormir.


A história acima ocorreu de fato na casa de Judit Polgár, a melhor jogadora de xadrez de todos os tempos. Mas, naquela época, Judit ainda não treinava com Susan e Sofia, suas irmãs mais velhas, por isso dormia enquanto elas praticavam. Por ser a mais nova das três, ela havia sido separada das aulas por determinação de seu pai, Lásló Polgár, um proeminente pedagogo húngaro.

A garotinha que gostava de jogar às cegas
A “separação” só serviu, no entanto, para deixá-la ainda mais curiosa sobre aquele jogo, embora não naquela noite em que foi acordada para solucionar o problema.


Demorou pouco tempo até que todos na família Polgár percebessem que estavam diante de um gênio. “Os gênios não nascem, se fazem”, proclamava seu pai, após cunhar sua tese de que crianças poderiam fazer realizações excepcionais se fossem formadas em idade precoce. O método de Lásló levou-o a entrar em conflito com as autoridades escolares húngaras, que exigiam que as irmãs Polgár tivessem aulas no colégio convencional e não em casa com o pai.

A garotinha sempre foi amável e introspectiva, além de brincalhona. Certa vez, ao ouvir de um famoso chef de cozinha que visitara sua casa (a culinária era outra das paixões da família Polgár) que “você é boa no xadrez, Judit, mas eu sou um ótimo cozinheiro”, a enxadrista teria respondido a ele, com aquele ar de criança inteligente que adora ser desafiada: “Você cozinha sem olhar para o fogão? Eu jogo sem olhar o tabuleiro!”.

A melhor de todas

Quando se diz que ela é a melhor jogadora de xadrez de todos os tempos, não é possível duvidar disso. Ninguém foi tão longe, ninguém foi tão assombrosamente capaz entre as mulheres. O GM Robert Byrne escreveu, em agosto de 1997, em sua coluna no New York Times (NYT), o jornal mais famoso dos Estados Unidos: “há muito tempo existe um debate animado sobre quem é o jogador mais forte de todos. Destacam-se Fischer, Kasparov, Capablanca, Alekhine, Lasker. Pode-se ouvir muitas opiniões diferentes. Entretanto, não há nenhuma discussão quando se pergunta qual é a jogadora mais forte de todos os tempos: seu nome é Judit Polgár”


Quando este texto estampou as páginas do NYT, Judit tinha apenas 21 anos, mas a afirmação já não parecia em nada exagerada por parte de Byrne, uma vez que, nove anos antes, quando ela tinha então somente 12 anos, o ex-campeão mundial Mikhail Tahl já havia preconizado: “Essa menina tem o potencial para vencer o Campeonato Mundial entre os homens!”.

Byrne não foi o único norte-americano a surpreender-se com ela. O GM Joel Benjamin, outro renomado jogador dos EUA, comentou certa vez, após terem se enfrentado: “Judit é um tigre no tabuleiro, com um instinto absolutamente assassino. Você comete um erro mínimo e ela vai direto para cima da sua garganta”.

Viswanathan Anand e Judit Polgar
O estilo de jogo agressivo e a determinação insaciável da húngara sempre foram seus pontos fortes. Características aparentemente contraditórias à sua personalidade. O jornalista inglês David Norwood, por exemplo, disse uma vez que o “jeito quieto e modesto de Judit contrasta com tudo o que ela é no tabuleiro”


Norwood, que enfrentou Judit quando ela ainda era uma criança e ele já era um enxadrista estabelecido em seu país (hoje ele possui o título de Grande Mestre), descreveu-a como “o monstro bonitinho de cabelos castanhos que me esmagou”.

Já o famoso jornalista britânico Dominic Lawson, ao ser convocado para escrever sobre aquele fenômeno do xadrez que vencia de forma espetacular jogadores homens bem mais velhos do que ela, disse que “ela tem um “olhar assassino” para seus adversários. A íris nos seus olhos são tão escuras que são quase indistinguíveis das pupilas. Aliado ao seu longo cabelo ruivo, o efeito é impressionante”.

O britânico GM Nigel Short também não poupou elogios à Judit, colocando-a no patamar dos “maiores prodígios da história do xadrez”. Para Short, os outros gênios são Paul Morphy, José Raul Capablanca e Samuel Reshevsky.

Personalidade e estilo

Sua determinação e vontade de estar à frente também são marcantes. Mesmo criança, quando um repórter lhe perguntou se ela seria campeã mundial, a menina respondeu determinada e objetiva: “Sim, vou tentar”. Então, quando questionada sobre porque jogava só contra homens em vez de competir em torneios femininos, ela falou em um tom mais áspero: “As meninas não levam o xadrez realmente a sério. Eu pratico de cinco a seis horas por dia, mas a maioria das meninas está distraída pensando em tarefas domésticas”.

Claramente interessada no aspecto psicológico do jogo de xadrez, Judit derrota seus adversários porque adota um estilo intencionalmente prejudicial a eles. Escolhe o que lhes incomoda mais e os estuda a fundo. Não gosta, portanto, de jogar contra computadores, como disse em outra ocasião: “o xadrez é de 30 a 40% psicologia. Você não tem isso quando enfrenta um programa, não há como confundi-lo”.

Em 1991, ela venceu o Campeonato Nacional da Hungria e tornou-se a mais jovem Grande Mestre da história, aos 15 anos, superando o recorde de Bobby Fischer por um mês. Em sua vitoriosa carreira, já derrotou os campeões mundiais Anatoly Karpov (RUS), Garry Kasparov (RUS), Boris Spassky (RUS), Vasily Smyslov (RUS), Veselin Topalov (BUL), Viswanathan Anand (IND), Ruslan Ponomariov (UCR), Alexander Khalifman (RUS) e Rustam Kasimdzhanov (UZB).

Apesar de toda dedicação e esforço, para ela o xadrez é uma autêntica diversão. Em 2003, quando estava entre os 10 jogadores mais fortes do mundo, a húngara enfrentou o ex-campeão mundial Anatoly Karpov no fortíssimo Torneio Corus, em Wijk Aan Zee, na Holanda. Judit jogou uma novidade na abertura que encontrou ali mesmo no tabuleiro, sem nenhuma preparação prévia, como é comum ocorrer em partidas de alto nível. O jogo durou 33 movimentos, com Karpov tendo dois peões a menos e um Rei totalmente exposto.

Na sala de imprensa, após o duelo, a enxadrista admitiu aos repórteres “ter se divertido muito durante a partida!”. Ela não só venceu a Karpov naquele torneio, como terminou a prova em um incrível segundo lugar, meio ponto atrás de Anand, o campeão, e um ponto inteiro à frente de Vladimir Kramnik, o terceiro colocado.

Em 2001, na Copa do Mundo de Xadrez Relâmpago, ela arrancou aplausos da plateia ao bater o então mais forte jogador de xadrez da França, GM Joel Lautier, que jogava em casa e com torcida a favor. Judit obrigou-o a abandonar a partida decisiva em 12 lances, após ter capturado sua Dama em uma combinação fantástica. Ela só foi derrotada nas semifinais para o russo GM Evgeny Bareev (que havia eliminado Kasparov).

Homens x mulheres

Apesar do sucesso, nem todos são tão entusiasmados ao falar a seu respeito. O controverso e polêmico ex-campeão mundial Garry Kasparov é um dos que mantém certa inimizade contra ela. “Ela tem um talento fantástico no xadrez, sim, mas ela é, afinal, uma mulher. Tudo se resume as imperfeições da alma feminina. Nenhuma mulher pode sustentar uma prolongada batalha por muito tempo”, disse Garry sobre Polgár.

Judit conversa com o amigo brasileiro GM Gilberto Milos
As polêmicas em torno de Kasparov e Judit começaram cedo. Em Linares, em 1994, ocorreu um incidente na partida entre ambos que ficou conhecido no mundo todo, inclusive fora do meio enxadrístico. Garry teria largado uma peça em uma casa e voltado a movê-la, o que é claramente contra as regras. 


Se tivesse feito o movimento como havia sido sua primeira intenção, ele provavelmente teria perdido o jogo. “Eu estava jogando contra o campeão mundial e não queria causar nenhum tipo de constrangimento no meu primeiro convite para uma competição deste nível. Também estava com medo de que, se minha reclamação fosse negada, eu seria penalizada no relógio”, explicou Judit após ser questionada por não obrigar Kasparov a realizar o movimento. Ela tinha somente 17 anos na época.

Checando os vídeos de cobertura do torneio, foi constatado que Kasparov realmente largou seu Cavalo em uma posição perdedora e, só então, resolveu pegá-lo e movê-lo novamente para outra casa. O diretor do torneio foi duramente criticado por não decretar a derrota de Kasparov, mesmo tendo visto os vídeos depois.

Judit encontrou Kasparov no saguão do hotel aquele dia, horas depois de saber da existência do vídeo que comprovava sua impressão sobre ele ter trapaceado, e perguntou-lhe desacreditada: “Como você pode fazer isso comigo?”. Ele não a respondeu, e a partir daí os dois quase nunca voltariam a se falar.


Sobre esse assunto, Kasparov chegou a declarar posteriormente que “sua consciência estava tranquila” e que ele "realmente não se recordava de haver largado a peça". James Eade, da Chess for Dummies, comentou o jogo dizendo: “Se até mesmo um campeão do mundo quebra as regras do xadrez, o que se pode esperar do resto de nós?”.

Após este incidente, a relação de ambos manteve-se em conflito. Kasparov chegou a dizer que Polgár era um “fantoche de circo” e que as mulheres deveriam cuidar de seus filhos em vez de jogar xadrez. Ele, porém, ainda teria de engolir uma derrota para ela, em uma partida de xadrez rápido. Foi em 2002, no match Rússia contra O Resto do Mundo, e o jogo foi considerado histórico porque foi a primeira vez que a número 1 do xadrez feminino derrotou o número 1 do xadrez masculino em uma competição. Mais do que isso: em qualquer outro esporte, jamais o número 1 do sexo masculino havia perdido para a número 1 do sexo feminino.

O xadrez e a família

Susan, Lásló, Klara, Judit e Oliver
Para aliar sua vida profissional e pessoal, Judit Polgár já revelou em uma entrevista anterior que é necessário ser “egoísta” e que ela se sente “de férias” quando está em uma competição. “Em um torneio, você só pode pensar em si mesma. Esposo, filhos, pais... nada disso pode ocupar sua mente”, ensinou.

Embora adote essa postura, o xadrez não é a única coisa realmente importante em sua vida. Em 2002, quando o repórter que ouviu daquela menininha tímida que ela “iria tentar” vencer o Campeonato Mundial lhe fez a mesma pergunta, ela respondeu desta vez: “O xadrez é minha profissão e é claro que eu quero melhorar sempre. Eu não posso viver sem xadrez, é parte integrante de mim, eu gosto de jogar! Mas não vou desistir de tudo para me tornar campeã mundial. Eu tenho a minha vida agora”.

E é um pouco dessa vida de hoje que Judit Polgár, a maior estrela que o xadrez feminino já produziu em todos os tempos, conta-nos nesta empolgante e exclusiva entrevista à Rádio Xadrez, realizada por e-mail e respondida por ela a partir do seu iPad.


 Confira!



Susan, Sofia e Judit: tênis de mesa era outra paixão
Rádio Xadrez - Em primeiro lugar, queremos dizer que somos grandes fãs, por tudo que você fez e ainda faz para o esporte. E não só nós, mas quase todos os jogadores te admiram. Você é um ídolo, tanto para mulheres quanto para homens. E, por esta razão, o Brasil ficará feliz em ler uma entrevista exclusiva com você.
Judit Polgár – Obrigada, Tiago. Melhor tarde do que nunca, não é? :) Vou adorar responder essa entrevista. Também desejo tudo de bom para seu site e seu País.

Rádio Xadrez - Muitos dos nossos leitores eram jovens quando você visitou o Brasil, em 1996, e jogou (e venceu) um match contra o GM Gilberto Milos. Foi sua primeira e única visita ao nosso País?
JP - Foi a minha primeira visita ao Brasil sim e eu e minha família (minha irmã Sofia e meus pais Klara e Laszo) tivemos uma boa estadia em seu País, graças aos organizadores!

Rádio Xadrez - Poderemos ver Judit Polgár jogando por aqui novamente?
JP - Eu adoraria voltar para o Brasil e acredito que vou algum dia :)

Rádio Xadrez - Em seu site oficial, há muitas fotos com animais, golfinhos, macacos etc. Sabemos que o seu marido é veterinário e nos assusta um pouco ver Oliver e Hanna (seus filhos) ao lado de um pequeno filhote de leão. Em casa, você tem bichos de estimação? Como é sua relação com a natureza e os animais?
JP - Desde a minha infância, eu adorava muito os animais e eu tive a sorte e a oportunidade de, durante as minhas férias, me reunir com todos os tipos de animais selvagens também! Uma das minhas mais bonitas recordações e experiências que tive com a natureza foi quando visitei Botswana, na África, e fui no Delta Okavango. Lá eu vi realmente a vida selvagem dos animais! Além disso, quando eu estava nadando com o golfinho, foi uma experiência incrível que eu posso recomendar a todos! É realmente fantástico!

Rádio Xadrez - Um famoso compositor brasileiro, Chico Buarque, é também escritor e escreveu um livro chamado Budapeste (lançado em 2003). O livro se passa na capital da Hungria e, apesar de nunca ter estado lá, Chico Buarque fala sobre a arquitetura gótica do Parlamento, o castelo de Buda, as pontes iluminadas sobre o rio Danúbio, a riqueza cultural, o tom mostarda da cidade... você conhecia essa história?
JP - Estou feliz que Chico Buarque tenha sido capaz de escrever a maneira como minha cidade natal é, a ponto de você ter a sensação de que é um bom lugar. Na verdade, eu não li este livro, mas Budapeste é uma das mais bonitas cidades do mundo! :) Você mesmo tem de verificar se não acredita nisso! :)

Com a filha Hanna
Rádio Xadrez - Interessa-se por literatura ou algum outro hobby fora do xadrez?
JP - De alguma forma, os meus dias são muito ocupados e eu não encontro tempo para a literatura séria. Eu leio normalmente quando eu viajo, mas principalmente revistas e livros de xadrez, naturalmente, e também artigos.

Rádio Xadrez - Há um ditado neste livro do Chico Buarque que diz que a língua húngara é tão complexa que é a única que o diabo respeita. Nós tentamos aprender um pouco para mostrar o quanto te admiramos. Mas, após meses de aula, a única coisa que sabemos dizer é “Jó Napot Kivánók” [oi] e “Viszontlátásra” [tchau]. Você sabe alguma coisa em português? Que idiomas você fala?
JP - Desculpe, eu não falo nada em Português! Eu acho que sei apenas dizer  “Axedrez”, se estou correta. Estou? :) Eu falo inglês, espanhol e russo.

Rádio Xadrez - A Hungria é muito conhecida no Brasil também por causa da seleção de futebol de 1954, que tinha jogadores como Puskas, Kocsis, Hidegkuti, que eram os mesmos que Pelé e Ronaldo para nós. Xadrez é popular na Hungria?
JP - Bem, o xadrez foi muito importante até que mudanças políticas ocorreram. Antes, Kadar, que era o chefe do país, gostava de jogar xadrez consigo mesmo! Hoje em dia, o xadrez não é tão respeitado como era na década de oitenta e noventa, mas eu sou muito famosa e a maior parte das pessoas sabe meu nome ou até mesmo me reconhece em shoppings.
  
Rádio Xadrez - E, na sua família, xadrez foi sempre o esporte principal ou, antes de se tornarem profissionais, as irmãs Polgár tentaram patinação no gelo, voleibol, balé ou qualquer outra atividade?
JP - Meu esporte principal sempre foi o xadrez, mas até 1986 eu e minhas irmãs jogávamos competições de tênis também. Eu era a 32º do ranking nacional na categoria sub-12, em 1988. Eu realmente gostava, mas parei para dedicar-me somente ao xadrez. Hoje em dia, eu até faço outros esportes.

Rádio Xadrez - Se você tivesse a oportunidade de conhecer qualquer pessoa do mundo, de qualquer época, quem escolheria?
JP - Depende muito de quanto tempo eu iria ter para passar com esta pessoa :)

Rádio Xadrez - Se fosse por apenas 24 horas?
JP – É difícil responder. Eu gostaria de pular essa questão (risos).

Rádio Xadrez - Você tem uma conta no twitter?
JP – Sim, meu twitter é @GMJuditPolgar.


Com a família
RX - Há muitas mulheres, não apenas as meninas brasileiras, que têm você como um ícone, um grande exemplo. Você é a prova de que homens e mulheres são iguais no xadrez, mas o que você acha que realmente pode mudar a carreira de uma enxadrista? Que ponto as meninas deveriam estudar mais para equiparar-se ou até ultrapassar os homens?
JP - Antes de tudo, elas devem receber a mesma oportunidade que os meninos, para ter um treinador, para aprender a gostar do jogo, para vê-lo como algo importante para elas etc. E, por último, mas não menos importante, os pais devem acreditar nelas da mesma forma como se elas fossem meninos. Porque não importa o quão liberal a comunidade em que você viva seja, as mulheres têm de lutar mais que os homens, infelizmente. Elas têm de lutar até o ponto de superar essa barreira social, aí então, depois que elas chegarem lá, elas vão realmente desfrutar do sucesso!

Rádio Xadrez - Você controla sua alimentação? Que tipo de comida é mais apropriada para um enxadrista durante um torneio?
JP - Eu faço dietas especiais de tempos em tempos.  Durante um torneio, minha dieta consiste em comer duas vezes ao dia, muitas saladas e frutos do mar.

Rádio Xadrez - Há um boato, você poderá nos dizer se é verdadeiro ou não, de que, quando está jogando xadrez, você começa a divagar e pensar em coisas fora do xadrez, como o que terá de comprar para o jantar ou se seu filho precisa fazer as lições de matemática. Isso é sério? Como uma mulher consegue ser tão genial no tabuleiro e, ao mesmo tempo, cuidar das atribuições de sua vida particular (mãe, esposa, filha etc.)?
JP - Bem, é incrivelmente difícil, mas o que quer que eu esteja fazendo, tenho de focar naquilo. Eu sempre estou viajando muito e geralmente viajo sem os meus filhos, para que eu possa focar completamente no torneio. Se eu sei que as crianças estão em mãos perfeitas em casa, então eu consigo ficar muito relaxada sobre isso.

Rádio Xadrez - As pessoas criticam muito ao GM Peter Leko por considerar seus jogos “chatos”, dizem que ele sempre empata. O que você pensa a respeito? É difícil jogar com ele?
JP – Já faz bastante tempo que tenho jogado com ele. Leko é um jogador muito difícil de vencer.  Hoje em dia, ele tem enfrentado alguns problemas psicológicos, como falta de autoconfiança. Mas eu acredito que ele tem muitas boas chances de voltar ao nível onde já esteve.

Rádio Xadrez - E Kasparov e Anand, você já derrotou os dois. Qual deles lhe deu mais prazer de vencer?
JP - Do ponto de vista de xadrez, eu sou mais feliz com meu jogo contra Anand, em Dos Hermanas, 1999. Kasparov eu venci "apenas" em uma partida rápida. Na verdade, do ponto de vista profissional, eu sou mais feliz com dois dos meus jogos contra Kasparov: os dois empates que eu tenho contra ele em Linares, 2001.

Judit e Sofia passando férias


Rádio Xadrez - Seus filhos estarão cercados por todos os lados de mentes brilhantes e ótimos enxadristas. Avós, tios, pais... é possível que eles sejam excelentes jogadores também? O que você pensa sobre isso e que dicas daria para pais que têm filhos começando no xadrez agora?
JP - Bem, meus filhos sabem como as peças se movem, pois eles têm aprendido na escola. Mas até agora não vejo que eles estão tão interessados, a ponto de quererem ir para um torneio de alto nível ou algo assim. Eu penso que o xadrez é um grande jogo e é uma ótima ferramenta para se ter nas escolas. Eu estou apoiando programas escolares de xadrez e sou membro do Comitê da Federação Europeia de Xadrez que fará uma apresentação sobre xadrez nas escolas no Parlamento da União Europeia.

Rádio Xadrez - Em 1993, Fischer visitou sua família, em Budapeste. Você tem alguma boa recordação sobre isso?
JP - Bem, ele tinha um talento incrível, era mesmo um gênio. Infelizmente, em seus últimos anos, não vimos apenas essa capacidade dele, mas, ao contrário, vimos principalmente suas declarações negativas :( Além de ser completamente paranoico, me recordo dele como alguém bem disposto a comer, ela amava comer! :)

Rádio Xadrez - Queremos terminar esta entrevista ressaltando nossa admiração e respeito por você. Por isso, encontramos um verso do poema de Kocsis Ferenc, em húngaro, que representa suas habilidades para nós: "egyetlen, érintetlen, lefordíthatatlan” (solitária, ilesa, intraduzível)! Parabéns Judit Polgár, por ser a estrela que você é!
JP - Poxa, Tiago. Obrigada, muito obrigada mesmo!


Read in English below:

Interview with GM Judit Polgár


The Brazilian site Rádio Xadrez conducted an exclusive interview with the best woman chess player of all time, GM Judit Polgár!


Judit, who will visit Brazil next month to compete in a tournament, told details about her life as mother, wife and chess player. She recalled important moments of her career: such as her games against Anand and Kasparov and the visit of Bobby Fischer to her family, and gave valuable tips to young and upcoming women chess players.


She also spoke about her compatriot GM Péter Lékó, her country Hungary, her literary habits and her diet during tournaments.


Check out this interview by the same Brazilian website who has interviewed GM Garry Kasparov, WGM Natalia Pogonina and GM Henrique Mecking (all in English).


Rádio Xadrez – A lot of our readers were young when you came to Brazil in 1996, played (and won) a match against GM Gilberto Milos. Was it your first and only visit to our country?


Judit Polgár - It was my first visit to Brazil, yes, and I, my sister Sófia, and my parents Klara and Laszlo had a good stay in your country thanks to the organizers!

Rádio Xadrez – Will we be able to see Judit Polgár playing here again?


Judit Polgár - I would love to return to Brazil and I believe I will, some day soon! :)


Rádio Xadrez - In your official website, there are many pictures of you with animals: dolphins, monkeys, etc. We know that your husband is a veterinary physician and it scares us a bit to see Oliver and Hanna, your children, next to a little lion cub. At home, do you have pets? How is your relation with nature and animals?


Judit Polgár - Since childhood I loved animals a lot and I was lucky to have the opportunity, during my vacations, to meet all kinds of wild animals as well! One of the nicest memories and experiences I had with nature was when I visited Botswana, in Africa, and went to the Okavango Delta. There I really saw the life of wild animals! Also when I was swimming with the dolphin it was an incredible experience which I can recommend to all! It is really fantastic!


Rádio Xadrez - The famous Brazilian composer Chico Buarque, who is also an author, wrote a book entitled Budapest (published in 2003). The plot passes in the capital of Hungary and, despite never having been there, Chico Buarque writes about the gothic architecture of the Parliament building, the Buda Castle, illuminated bridges over the Danube, the cultural richness, the city's mustard tone... Have you read this book?


Judit Polgár - I am happy that Chico Buarque was able to describe the way my home city is, such that you have the feeling that it is a nice place. Actually, I have not read that book, but Budapest is one of the most beautiful cities in the world! :) You have to check it out by yourself if you do not believe! :)


Rádio Xadrez - Do you enjoy literature or any other hobby, besides chess?


Judit Polgár - Somehow my days are very busy and I do not find time for serious literature, I read usually when I travel, but mainly magazines and, naturally, chess books and articles.


Rádio Xadrez – There is a proverb in Chico Buarque’s book which says that the Hungarian language is so complex that it is the only one that the devil respects. We tried to learn some to show how much we admire you, but, after a few months of lessons, the only things we know are “jó napot kivánók” [hi] and “viszontlátásra” [bye]. Do you know some Portuguese? What languages do you speak?


Judit Polgár – Sorry, I speak nothing in Portuguese. I think I know to say “Axedrez”. Am I correct? :( I speak English, Spanish and Russian.


Rádio Xadrez - Hungary is well known in Brazil also because of its national football team of 1954, which had extraordinary players such as Puskás, Kocsis and Hidegkuti, who were what Pelé, Romário and Ronaldo are for us Brazilians. Is chess popular in Hungary?


Judit Polgár - Well, chess used to be very important until the political changes happened. Before, Kadar, who was the head of the country, liked to play chess against himself! Nowadays, chess is not as respected as it was in the 80's and 90's, but I am very famous and most people know my name and even recognize me in shopping centers.


Rádio Xadrez - In your family chess was always the main sport? Or, before becoming chess professionals, the Polgár sisters tried ice-skating, volleyball, ballet or any other activity?


Judit Polgár - My main sport was always chess, but from 1986 on I and my sisters also competed in table tennis. I was the 32nd of the national ranking in the under-12 category, in 1988. I really liked it, but I stopped in order to dedicate myself to chess. Nowadays, I even enjoy some other sports.


Rádio Xadrez - If you had the opportunity of meeting any person of the world, of any epoch, who would you choose?


Judit Polgár - It very much depends on how much time I would have to spend with this person. :)


Rádio Xadrez - If it was for only 24 hours?


Judit Polgár – It’s difficult to answer. I would like to pass this question...


Rádio Xadrez - Do you have a twitter account?


Judit Polgár – Yes, my twitter is @GMJuditPolgar.


Rádio Xadrez - Do you control your diet? What kind of food is most adequate for a chess player during a tournament?


Judit Polgár - I follow specific diets from time to time. During tournaments I eat twice a day, many salads and seafood.


Rádio Xadrez – There is a rumor, you could tell us if it’s true or not, that while playing chess you start to think in things outside of chess, like what you should buy for dinner or whether your son needs to do his mathematics homework. Is this serious? How can a woman manage to be so brilliant at the chessboard and, at the same time, take care of the duties of her private life (mother, wife, daughter, etc.)?


Judit Polgár – Well, it is incredibly difficult, but whatever I happen to be doing I must focus on it. I am always traveling a lot and I mostly travel without my children, so that I can focus completely on the tournament. Since I know that the children are in perfect hands at home, I can stay very relaxed about it.


Rádio Xadrez - People criticize so much GM Péter Lékó for considering his games as "boring", they say he always draws. What do you think of that? Is it hard to play against him?


Judit Polgár - It is already a long time since I have played against him. Lékó is a player who is very hard to beat. Nowadays he has some difficulties, like loss of self confidence. But I believe he has very good chances to get back to the level where he has already been.


Rádio Xadrez – How about Kasparov and Anand? You've defeated them both. Which win gave you the most pleasure?


Judit Polgár - From chess point of view I am happier with my game against Anand in Dos Hermanas, 1999. I beat Kasparov "only" in a rapid game. But really, from professional point of view I am happier with my games against Kasparov: the two draws I played against him in Linares, 2001.


Rádio Xadrez - Your children are growing amongst brilliant minds and great chess players. Grandfather, mother and aunts... Is it possible that they become excellent chess players as well? What do you think about that?


Judit Polgár - Well, my kids know how chess pieces move as they have learned it in the kindergarten, but so far I do not see that they are so interested that they would want to watch high level tournaments, or something of that sort.


Rádio Xadrez - What tips would you give to parents whose children have just started to play chess?


Judit Polgár - I think generally chess is a great game, and an excellent tool to have in schools as well. I am supporting scholastic chess programs and I am a member of the European Chess Federation's committee which is going to make a presentation about chess in schools to the EU Parliament in a few days.


Argentine, 2011

Rádio Xadrez - In 1993, Fischer visited your family in Budapest. Do you have good memories about that?


Judit Polgár - Well, he was an amazing chess talent, a true genius! Unfortunately in his last years we did not see that ability of him; on the contrary, we saw mainly his negative declarations. :( Apart from being completely paranoid, I remember him as someone in good disposition to eat, he loved to eat! :)


Rádio Xadrez – There are many women, not just Brazilian girls, that see you as an icon, a great example. You are proof that men and women are equal at chess, but what do you think could really change the career of a woman chess player? Which point should girls study more to become equal or even surpass men at chess?


Judit Polgár – First of all they should get the same opportunity as boys: to get a trainer, to learn to like the game, see it as something important for them, etc. and last, but not least, parents should believe in girls the same way as if they were boys. Because no matter how liberal the society where you live may be, women have to fight harder than men, unfortunately. They have to fight up to the point when they overcome this social barrier, but then, after they make it, they will really enjoy the success!


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28 comentários:

Jorge Rodrigues disse...

Parabéns Tiago!! Excelente matéria!

Paulo Henrique de Faria disse...

Tiago, fiquei até mesmo emocionado em ver tamanha matéria, em grau e fantasia. Simplesmente ou complexamente fantástica...Você merece algo tão legal e bom, como leitor de seu blog e escritor do www.xadrezbatatais.com só tenho elogios e incentivos a seu trabalho...Parabéns, você fez algo mais que especial para os leitores, continue assim!! E quanto a Judit?! Sem palavras para descrever tamanho talento e humildade...

Anônimo disse...

Tiago. Como ela sabia teu nome. Achei a entrvista um bom exercício de ficção .

Anônimo disse...

Anônimo sem inteligência é fogo... Antes de se fazer uma entrevista, a pessoa se apresenta... Quanta ignorância!

Tads disse...

Anônimo 1, a título de curiosidade, nada aqui é ficção.

Não temos nada contra ficção, mas, quando o for, deixaremos claro. Não é este caso.

Judit trocou diversos e-mails conosco e ainda conversamos algumas vezes pelo G-Talk (batepapo do G-mail) para tirar algumas dúvidas.

Como eu assinei todos os e-mails (como explicado acima pelo Anônimo 2) e fui apresentado à ela por sua irmã Susan Polgar, ela sabia com quem estava conversando.

Toda informação dada na introdução da entrevista é verídica e passível de confirmação, como evidentemente a entrevista em si também é. Cada detalhe foi checado e confirmado com ela, para manter a realidade e a fidelidade do texto.

Não é nossa ideia, neste caso, escrever ficção. Dessa vez é só jornalismo! :-)

Mas quem sabe, numa próxima oportunidade, apareça algum texto de ficção por aqui.

Talvez uma entrevista com Bobby Fischer :)

Um abraço e bom 2012!

Leon Mendes disse...

Ótima entrevista,não ligue para os comentários acima!Parabéns Tiago!

Anônimo disse...

Otimo adorei! Sou fá dela.Só faltou menos bajulação.menos baba ovo

Por q todos acham q estrangeiro é melhor q nós, Brasileiros.

Deve ser o idioma q é bonito

Anônimo disse...

Adorei a entrevista!

Judit Polgar demonstra uma pessoa amigavel pelas respostas, pelo uso de exclamaçoes e pelo rostinho de alegria com sinais ortográficos no término de cada frase.

Essa entrevista mostra o seu perfil de jogadora. Um exemplo, uma modelo a ser seguido. E ela realiza jogadas para incomodar o adversario, com este metodo psicologico, acabou me lembrando o GM Lasker ,que se nao me engano, é conhecido por seu jogo psicologico.

Gostei de mais mesmo desse post, e pela introduçao antes da entrevista. Foi um trabalho bem realizado ao meu ver.

Tiago e companhia, voces merecem os parabens!

Abraços.

Anônimo disse...

Tiago. Explique como conheceste a susan polgar?vc nao comentou isto!

joaquim virgolino disse...

PARABÉNS! A entrevista foi excelente, sou fã da Judit. Tenho uma filhinha de 4 anos que se chama Judit Polgar, inclusive a GM hungára mandou uma foto autografada pra minha filha.

Saudações enxadristicas,

JOAQUIM VIRGOLINO.

Masegui disse...

Tiago, meu capitão!

Parabéns! Post/artigo maravilhoso.

Você é um jornalista de primeira linha, companheiro!

Abração!

Glaucio Cafalchio disse...

Parabéns, Tiago!

Você é realmente um grande jornalista!
Essa é uma das melhores matérias enxadrísticas que já li.
Parabéns pela vitória em Taubaté!

Abraço!

Glaucio Cafalchio disse...

Parabéns, Tiago! Grande matéria!
Uma das melhores matérias de xadrez que já li.
Parabéns pela vitória em Taubaté!

Abraço!

Erick Ramos disse...

Parabens Tiago,

o site está indo de vento em polpa ! expressão meio velha, mas blz kkk

A história da Judit é de impressionar, ela superou todos os limites que uma mulher pode superar, e ainda mais, limites que nem nós meros enxadristas amadores conseguiremos superar rsrsrs e ela ainda diz que joga por diversão hahah


Otimo trabalho pra você, continue assim escrevendo grandes matérias !


Abraço,

Erick.

walter Raymundo de Amorim disse...

Prezado Jornalista Tiago, brilhante reportagem esta da extraordinária enxadrista Judiht Polgar, simplicidade e genialiddade andando de mãos dadas.
Obrigado! Feliz 2012.

Walter Raymundo de Amorim
Belo Horizonte-MG

ALMAVIVA disse...

Tiago, parabéns pelo trabalho!

A parte introdutória anterior aa entrevista foi muito reveladora
e nos mostrou um Kasparov arrogante e desprezível. Eu ñ conhecia esse lado dele, apesar de já me haver decepcionado com sua pessoa quando perdeu para um jovem jogador (creio que Kariakin) e se
recusou a apertar-lhe a mão e se retirou do salão em um torneio, sem
dar direito a seu adversário ao tradicional post morten. Suas declarações chauvinistas destoam totalmente da condição brilhante de campeão mundial que ocupou durante tanto tempo. Confesso que agora vejo Kasparov com outros olhos, o vejo como um ser muito limitado do ponto de vista da emancipação do livre pensamento. É uma pena que tão notório expoente de nossa querida arte de Caissa seja praticamente um troglodita machista e que possa sair por aí dizendo que lugar de mulher é na cozinha: ele vilipendiou o xadrez enquanto classe. Portanto,
cumpre esclarecer que nós enxadristas, enquanto generalidade de praticantes, ñ compartilhamos desta atrocidade expressiva de que
fez uso o gênio de Baku.

Quanto aa entrevista te aconselho na próxima que explore mais o lado
mais polémico que envolve sua história que é saber dela se ela acredita que a mulher seja fisiologicamente inferior ao homem. Se ela responder que não, como explicar que ela seja a única a chegar entre os 10 melhores do mundo hoje em um tempo em que centenas de mulheres em diversos países teem acesso a treinamentos de ponta, como as russas, chinesas, ucranianas etc. Na entrevista ela pareceu querer dizer que tudo era questão de dar aas mulheres iguais condições que são dadas aos homens. Apesar de haver aí muito de verdade, eu vejo essa opinião como um tanto reducionista e destoante com o que passa no mundo atualmente já que centenas de mulheres estão já há muito tendo condições ideais de treinamento em vários países do globo. Eu gostaria de ver o que ela diz sobre os efeitos da menstruacão, menopausa,resguardo, climatério, maternidade etc. na prática enxadrística.

Já que as entrevistas são por e-mail, ou seja, ñ lhe demandam tão grande esforço, sugiro que lhe proponha (se ñ lhe for inconveniente)uma segunda parte, dedicada a esses alunos. Aronian também emitiu uma opinião marcadamente machista sobre uma alegada inferioridade feminina, talvez fosse interessante pesquisar o que os grandes jogadores disseram sobre as diferenças homem x mulher
no xadrez.

Mais uma vez parabéns pelo trabalho

Forte abraço

Professor Fiori

Anônimo disse...

Tiago,

concordo com ALMAVIVA no que comentou sobre o xadrez feminino.

Tiago, entre em contato com nossas jogadoras e explore o tema com elas.
Procure tambem mostrar o que elas pensam sobre a postura que Judit em relaçao ao preconceito que passou e passa e por ai vai.


Abraços

neryxadrez disse...

Parabéns a Radio xadrez cada dia com mais e mais reportagens brilhantes, parabéns por esse magnifico instrumento para nos enxadristas brasileiros Feliz Ano Novo e muitissimo sucesso nesse 2012.

Nery

neryxadrez disse...

Parabéns a Radio xadrez cada dia com mais e mais reportagens brilhantes, parabéns por esse magnifico instrumento para nos enxadristas brasileiros Feliz Ano Novo e muitissimo sucesso nesse 2012.

Nery

Anônimo disse...

Po galera,
o post ta d+

parabens!
Bruno, SC

Anônimo disse...

AlMAVIVA
ou ALMAMORTA???

tu ta com nada e esse comentario de Kasparov machista

isso é pq vc nao sabe jogar xadrez e fica falando ai como se soubesse de alguma coisa.

aqui é lugar pra comentar e nao pra fazer um texto!

Kruger, Israel disse...

Grande Tiago,

Excelente artigo! Este blog é referencia de excelente trabalho enxadristico.
Budapeste é fantastico mesmo, estive lá no verão de 2006. Um dos motivos foi a familia Polgar. A ideia era uma visita rapida a cidade, de um dia ou no maximo 2, e fiquei 5 dias!! Indico com certeza!

Otimo 2012 a todos os leitores

Krugercwb.blogspot.com

Anônimo disse...

Tiago que repercusao teve esse post hem?

do fim de dezembro com inicio de janeiro contando com os comentarios a galera ta gostando mesmo do seu trabalho!

Isso que é um post começar bem o ano! (risos)

Diego,
abraçços

ALMAVIVA disse...

ALMAMORTA se vc preferir Anónimo. Se vc tem Kasparov como um deus que faca bom proveito de sua idolatria, eu de minha parte apenas admiro o que ele fez sobre o tabuleiro. Quanto a ñ saber jogar xadrez, que diferenca faz? Apenas enxadristas magistrais podem falar de xadrez? Aliás, nem falei de xadrez, eu falava de relacoes humanas. Se eu jogo bem ou mal, isso vc nunca vai saber. E quanto aa extensao de meu comentario, quero que vc me indique onde está a lei que estabelece que vc que é tem o direito supremo de decidir com que quantidade de linhas devo me expressar. E para que outras pessoas ñ tenham que passar pela desagradável tarefa de te responder como estou fazendo agora, finja que é educado e cale-se

Forte abrazo

Almamorta

Anônimo disse...

Impressionante, o pessoal entra aqui e começa a pisar no pe dos outros! Tipo almaviva, almamorta. (risos)

A galera gosta de ver o circo pegando fogo. É osso!

Pessoal da radio xadrez, meus parabens pela entrevista com a Judit e que tal ter outras entrevistas ai, tipo "Paco", para Amanda Marques, que demonstrou tao intimidade na radio retrospectivia 2011.

Um grande abraço.
Sucessos.

Obs: eu nao consigo postar um comentario com a conta do google! Por que?
Entao so me resta ser anonimo mesmo. E nem sei qual deve ser meu n°. Tem tantos anonimos aqui! rsrrrr

Alvaro Frota disse...

Parabéns, Tiago!!

Brilhante!

Entrando em uma das polêmicas, em minha opinião, o principal fator de atraso na qualidade do Xadrez de ponta das mulheres são os torneios de Xadrez Feminino!

Por isso as irmãs Polgar se destacaram tanto: elas nunca jogaram apenas torneios femininos sendo que a Susan foi a responsável pela criação da categoria "absoluta" no lugar da categoria "masculina" depois que foi impedida de jogar o Torneio de Candidatos pelo simples fato de ser mulher (havia conquistado a vaga no tabuleiro).

Jogando apenas entre elas, as mulheres criam um círculo vicioso em um nível mais baixo que o do Xadrez categoria "absoluta".

No dia em que as mulheres largarem mão do "Clube da Luluzinha" elas vão muito rapidamente se igualar aos homens no Xadrez.

Mas é claro que há aspectos contraditórios nessa questão. Por exemplo, os torneios femininos existem e são bons para ajudar a superar as barreiras culturais entre os gêneros.

Já o Kasparov nunca encarou uma batalha de nove meses para gerar uma vida então isso de as mulheres não serem capazes de batalhas longas é uma tremenda bobagem.

Aquele abraço!

Álvaro Frota

Anônimo disse...

Olha, cá pra nós!

Dizem que lugar de mulher é na cozinha.

Isso nao ta errado, se nao como agente vai comer?

Agora, Álvaro Frota tem razao. O clube da luluzinha de xadrez tem que acabar.
E isso nao depende de ideias. Depende da atitudes delas. As meninas tem que tomar frente. E vao ter que ralar mesmo nos tabuleiros para conquistar medalhas e mais medalhas. E logico, tem que ralar na cozinha tambem! rsrsrr

ralar legumes, vazilhas....

ass: de novo aqui o anonimo q nao consegue comentar com a conta do google.

Tads disse...

Caros, mesmo que vocês comentem na opção "anônimo", é possível se identificar assinando com seu nome/cidade de origem no final da mensagem. Isso ajuda bastante na hora de aprovar comentários e respondê-los. Abraço!

Lances Finos